CEGOU
SEUS OLHOS
O juízo próprio
“Post cogitationes enim nostras ibimus”
Iremos atrás de
nossos pensamentos (Jer.18,12)
Juízo
próprio designa o apego desordenado ao próprio parecer, a opinião própria e ao próprio conselho. O juízo
próprio, ainda que esteja no fundo de todos os vícios da inteligência, não se
confunde com eles.
Por
isso se distingue dos demais defeitos intelectuais, como por exemplo:
1°
A curiosidade, que se opõe a virtude de estudar bem. É um defeito de nosso espírito
(filha da acedia) que leva-nos, com demasiada solicitude e precipitação, a
entretermos e considerarmos coisas inúteis esquecendo-nos de Deus e de nossa
salvação[1].
2°
A necedade, se opõe á sabedoria, julgando tudo,
inclusive as coisas mais elevadas, com critérios mundanos[2].
3°
A ignorância, que se opõe a ciência, é a carência de conhecimento em um sujeito
capaz e obrigado a possuí-lo.
4°
O enfraquecimento (haebetudo mentis) que se opõe agudez
e ao dom de entendimento, é um defeito da mente na qual esta não pode penetrar no
intimo das coisas.
5°
Mais estreitamente se relaciona com a cegueira da mente (caecitas mentis) como
a causa do efeito.
É,
pois, algo distinto: consiste em apegar-se ao ditame ou juízo da própria razão
(opinião) contra ou por cima do parecer dos outros, por motivos sem peso (que
podem ser reduzidos a motivos pessoais).
Podemos
distinguir dois modos: o negativo e o positivo.
Juízo próprio negativo
É
o que se dá nos que são curtos de entendimento, e conseqüentemente, falta
com a prudência. Este não tem a inteligência suficiente para discernir seus
próprios parecer.
Não
sabem duvidar de si mesmos. São curtos e por serem curtos faz brando seus
erros. De todos os modos, estas mesmas pessoas, crescendo em humildade, podem
deixar-se iluminar por outros.
Juízo próprio positivo
Tem
por causa a soberba intelectual.
A
soberba intelectual pode ter por objeto duas coisas diversas:
a própria inteligência (é dizer, o nível intelectual ou cientifico que
uma pessoa possui) os juízos da inteligência (é dizer, as apreciações próprias,
os pontos de vista e conselhos próprios, os próprios ditames as próprias
convicções). A este segundo chamamos “juízo próprio” e tem como raiz a soberba
e a insistência ou pertinência.
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